Dr Paulino Souza Neto Vascular Surgery, Endovascular Surgery

Patologias » Arteriais » Estenose de Carótida

A estenose (estreitamento) de carótida constitui a 3ª causa de Acidentes Vasculares Cerebrais (derrame) no mundo, causando 50 milhões de óbitos por ano. Uma triagem deve ser realizada rotineiramente, pois o tratamento preventivo da estenose de carótida é fator de inclusão socioeconômica, já que suas sequelas e seus custos financeiros são devastadores. Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) extensos causam 33% de óbitos no 1º ano e os restantes sobrevivem em média 6 anos com uma expectativa de gasto anual de US$ 151.000,00 per-capita somente em cuidados domiciliares e suporte a sequelas do evento. Sua maior causa é a Aterosclerose.
O AVC é causado por oclusão (entupimento) temporária ou permanente de vasos sanguíneos de nutrem o cérebro, sendo sua manifestação clínica concordante com o local que foi privado de circulação. Assim a perda súbita da visão constitui manifestação de oclusão da artéria retiniana e a deficiência de sensibilidade e/ou movimentação de uma metade do corpo constitui oclusão da artéria cerebral média.
A estenose da artéria Carótida é uma patologia amplamente discutida em estudos multicêntricos e tem um fluxograma de conduta muito bem definido. Estes revelam que as complicações de AVC foram menores em pacientes com estenose inferior a 60% submetidos a tratamento clínico e com estenose superior a 70% submetidos a tratamento cirúrgico (Angioplastia ou Endarterectomia). Os indivíduos com estenose entre 60 e 70% constituem um grupo onde a indicação para um ou outro procedimento depende de analise de outros fatores pelo seu médico.
A estenose de carótida é triada através de exame de color Doppler de carótidas e vertebrais. Neste exame podemos avaliar a forma e o fluxo de sangue pela artéria carótida com 91% de sensibilidade e 87% de especificidade.
Em se detectando uma alteração neste exame, deve-se complementar com outro exame não invasivo como a Angiotomografia ou a Angiorressonância magnética de carótidas ou ainda com uma angiografi (cateterismo diagnóstico) de carótidas e vertebrais.
Com estes dados podemos definir o melhor tratamento para cada paciente. O tratamento clínico para os de estenose pequena, e tratamento cirúrgico para os de estenose mais significativa.
A indicação entre a Angioplastia ou a cirurgia aberta (Endarterectomia) remonta a avaliação de múltiplos fatores como idade, doenças associadas, outras estenoses simultâneas, AVC em curso, dentre outros.
Atualmente há uma maior predileção pela angioplastia, porém o tratamento cirúrgico ainda constitui uma terapia de menor risco de AVC nos pacientes jovens, sem outras doenças associadas e com estenose unilateral.
A angioplastia da carótida é indicada nos pacientes com alto risco cirúrgico, múltiplas doenças associadas ou pescoço hostil (cirurgia carotídea prévia, sequelas de radioterapia e nos pacientes com bifurcação alta, pela dificuldade de acesso) ou com doença carotídea bilateral.
Os melhores centros mundiais apresentam índices de complicação isquêmica inferior a 2%. A taxa d reversão das complicações também é marcador de bom atendimento ao paciente com esta patologia.

Tratamento Clínico

O tratamento clínico é fundamental mesmo para os pacientes operados.
Assim, a correção dos fatores de risco é de grande importância. Medidas como controle de doença crônicas (Hipertensão Arterial Sistêmica, Diabetes Mellitus, Dislipidemia), modificação de hábito (sedentarismo, tabagismo, etilismo) e o tratamento medicamentoso (antiagregante plaquetário, estatinas) são de máxima importância na terapia adjuvante desta patologia. A escolha da melhor terapia para cada paciente depende de avaliação criteriosa pelo médico.

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